Ermance Dufaux



Breves informações

Ermance de La Jonchére Dufaux
(lê-se /difô/) nasceu em 1841 na cidade de Fontainebleau, França (hoje localizada há 55 km ao sudeste do centro de Paris).

Colaborou na posição de médium nas atividades doutrinárias com Allan Kardec, contribuiu na elaboração da segunda edição de “O Livro dos Espíritos” (1860) e ainda, com sua mediunidade psicográfica, escreveu, junto do Espírito Joana D’arc, a obra A História de Joana D’arc Ditada por Ela Mesma.

Na posição de autora espiritual, Dufaux vem desde 2000 colaborando na elucidação de algumas facetas doutrinárias do Espiritismo, especialmente aquelas que dizem respeito ao relacionamento dos espíritas e à reforma íntima do ser humano.


Em parceria com outros Espíritos, entre eles o Prof. Cícero Pereira, escreveu textos em “Seara Bendita” (2000), “Unidos pelo Amor: ética e cidadania à luz dos fundamentos espíritas” (2004) e “Atitude de Amor: opúsculo contendo a palestra de Bezerra de Menezes e debate com Eurípedes Barsanulfo sobre o período de maioridade do Espiritismo”.


Além dessas obras, trouxe a lume outros livros exarados integralmente por si como autora espiritual. Dentre eles estão “Laços de Afeto” (2002), “Mereça Ser Feliz: superando as ilusões do orgulho” (2002), “Reforma Íntima Sem Martírio” (2003), “Lírios de Esperança” (2005) e “Escutando Sentimentos” (2006). Todos publicados atualmente pela Editora Dufaux.


Allan Kardec e Ermance Dufaux

Em vários pontos das edições da Revista Espírita, publicação mensal que Kardec iniciou em 1858 com a finalidade de divulgar mais amplamente o Espiritismo, o cofificador menciona o trabalho de Ermance, muito jovem na época, como médium. Transcrevemos ao leitor dois artigos de Allan Kardec que se referem aos livros mediúnicos ditados para Dufaux por Joana D'arc, Carlos VIII e Luís XI. Os textos se encontram com as respectivas datas de publicação.


HISTÓRIA DE JOANA D’ARC DITADA POR ELA
PRÓPRIA À SENHORITA ERMANCE DUFAUX

É uma pergunta que nos tem sido feita muitas vezes, esta de saber se os Espíritos que respondem com maior ou menor precisão às perguntas que lhe são dirigidas poderiam fazer um trabalho de fôlego. A prova está na obra a que nos referimos, pois aqui já não se trata de uma série de perguntas e respostas, mas de uma narração completa e seguida, como o faria um historiador, e contendo uma infinidade de detalhes pouco ou nada conhecidos sobre a vida da heroína.

Aos que poderiam crer que a Senhorita Dufaux inspirou-se em conhecimentos pessoais, respondemos que ela escreveu o livro na idade de catorze anos; que sua instrução era a das meninas de família decente, educadas com cuidado, mas, ainda quando tivesse uma memória fenomenal, não seria nos livros clássicos que iria encontrar documentos íntimos, dificilmente encontradiços nos arquivos da época. Sabemos que os incrédulos farão sempre mil e uma objeções; mas para nós, que vimos a médium operar, a origem do livro não pode ser posta em dúvida.

Posto que a faculdade da Senhorita Dufaux se preste à evocação de qualquer Espírito, de que nós mesmos fizemos prova em comunicações pessoais que nos foram transmitidas, sua especialidade é a História. Ela escreve do mesmo modo a de Luís XI e a de Carlos VIII que, como a de Joana D’arc, serão publicadas.

Passou-se com ela um curioso fenômeno. A princípio, era boa médium psicógrafa e escrevia com grande facilidade; pouco a pouco se tornou médium de psicofonia e, à medida que esta nova faculdade se desenvolveu, a primeira se atenua; hoje escreve pouco e com dificuldade; mas o que é original é que, falando, sente a necessidade de estar com um lápis na mão e de fingir que escreve. É necessária uma outra pessoa para registrar suas palavras, como as da Sibila. Como todos os médiuns favorecidos pelos bons Espíritos, jamais recebeu comunicações que não fossem de ordem elevada.

Voltaremos à história de Joana D’arc para explicar os fatos de sua vida relacionados com o mundo invisível; então citaremos o que a respeito ela ditou ao seu mais notável intérprete. 
(Allan Kardec, Revista Espírita, janeiro de 1858)



CONFISSÕES DE LUÍS XI – HISTÓRIA DE SUA VIDA
 DITADA POR ELE MESMO À SRTA. ERMANCE DUFAUX

 
Falando da História de Joana D’arc ditada por ela mesma e propondo-nos a citar várias passagens, dissemos que a Srta. Dufaux havia igualmente escrito a História de Luís XI. Este trabalho, um dos mais preciosos no gênero, contêm documentos preciosos do ponto de vista histórico. Nele Luís XI se mostra o profundo político que conhecemos; além disso, dá-nos a chave de vários fatos até aqui inexplicados.

Do ponto de vista espírita, é uma das mais curiosas mostras de trabalhos de fôlego produzidos pelos Espíritos. A este respeito, duas coisas são particularmente notáveis: a rapidez de execução – bastaram quinze dias para ditar a matéria de um grosso volume – e, em segundo lugar, a lembrança tão precisa que pôde um Espírito conservar de acontecimentos da vida terrena.


Aos que duvidassem da origem deste trabalho e o quisessem atribuir à memória da Srta. Dufaux, diríamos que na verdade seria preciso que uma criança de catorze anos tivesse uma memória fenomenal e uma não menos extraordinária precocidade para que pudesse escrever de uma assentada uma obra dessa natureza. Mas, admitindo que assim fosse, perguntamos onde essa criança teria obtido as explicações inéditas da sombria política de Luís XI e se não teria sido mais interessante que seus pais lhe atribuíssem o mérito.


Das diversas histórias escritas por seu intermédio, a de Joana D’arc é a única publicada. Fazemos votos para que em breve as outras o sejam e lhes prevemos um sucesso tanto maior quanto mais espalhadas hoje se acham as idéias espíritas.

(Allan Kardec, Revista Espírita, março de 1858)

 

Conheça outros detalhes da vida de Ermance no site Espiritismogi.com.br http://www.espiritismogi.com.br/biografias/ermance_dufaux.htm