Reunião da OS2
- segunda-feira 14/agosto/2006
Título:
Em que ponto da evolução nos
encontramos?
Primeira
parte:
Como
estamos nos sentindo?
Vamos
pontuar de 1 a 5.
Segunda
parte:
Proposta de aula:
O que já temos de bom?
Em que ponto da evolução nos encontramos?
Regressão
no tempo, lembranças da infância, da adolescência, da vida adulta até os dias
de hoje...
Primeira
parte: vamos iniciar a aula lembrando cada um de um momento ou de alguns
momentos em que nos lembramos de termos realizado o bem, por nós ou por alguém.
Vamos
procurar incentivar que os participantes dêem seus relatos pessoais.
Não
vamos nos prender por medo de sermos tidos por vaidosos.
Nós
devemos buscar o que temos de bom em nós.
No
estudo dos nossos sentimentos, temos normalmente buscado descobrir o que ainda
temos de imperfeições. Será que além desta tarefa, para nos conhecermos por
completo, não devemos também procurar o que já conseguimos conquistar?
Quem
somos realmente?
Será
que conseguimos perceber o que temos de bom?
E com
relação às pessoas com quem convivemos e nos relacionamos,
o que eu consigo perceber de bom nelas?
Eu
consigo identificar o lado positivo nos outros?
Por
que temos dificuldade em identificar o lado positivo dos outros?
O
Bem não aparece ou nossos olhos não conseguem percebê-lo?
Só
os missionários fazem o bem?
Eu
consigo fazer o bem, sem ser por egoísmo?
Será
que ao fazer o bem, eu não estou barganhando com Deus, buscando regalias
futuras?
Personalidade
perfeccionista – A Imensidão dos Sentidos- Hammed
A
Natureza e o indivíduo fazem parte de um todo unificado. O Homem é apenas uma
parcela dessa grande sinfonia da evolução da terra.
O
crescimento do ser ocorre por meio de um encadeamento de fatos espontâneos e
inerentes à vida humana, enquanto que o perfeccionismo é uma aspiração
obstinada e torturante.
Muitas
pessoas acham sinal de fraqueza admitir que são
falíveis. Na verdade quando admitimos nossa vulnerabilidade ,
afastamos a tensão do egoísmo defensivo de tudo saber ou conhecer.
O
perfeccionismo nos coloca num estado tão grande de ansiedade e inquietação, que
cometemos mais erros do que o normal, porque, em vez de aceitarmos a
possibilidade do desacerto, ficamos amedrontados com a expectativa da
perfeição.
Em que ponto da evolução nos encontramos?
No livro
Reforma Íntima Sem Martírio, Ermance coloca o seguinte:
Imprescindível
elastecermos noções sobre o estágio em que nos encontramos, para administrar
com mais sabedoria e equilíbrio o conflito que se instala em nosso íntimo entre
o que devemos fazer, o que queremos fazer e o que
podemos fazer.
Posições
extremistas têm instaurado dores desnecessárias. Há homens e mulheres espíritas
com vetustos instintos animalescos que querem ser anjos do “dia para a noite”,
nos campos da sua espiritualização.
Outros, por sua
vez, são detentores de larga soma de conquistas, entretanto julgam-se
incapacitados, aprisionados a chavões negativistas que os fazem sentirem-se
vermes rastejantes nas fileiras da vida.
O resultado
inevitável dessas visões distorcidas é o martírio.
Portanto,
ampliemos o raio de entendimento sobre o estágio em que nos encontramos.
Para se chegar a
algum lugar melhor, alcançar alguma meta maior, torna-se
imperioso conscientizar sobre onde nos encontramos a evolução. Sem saber onde
estamos, caminharemos a lugar algum...
Termino este estudo com a frase da Ermance: “Somos
um “projeto de existir” criados para a felicidade”
Material de Apoio:
Este
material de apoio contém três temas: coragem, o homem de bem e o arquétipo do
curador ferido. O conjunto destes três textos nos leva a questionar sobre a
real intenção que nos leva ao trabalho voluntário ( arquétipo
do curador ferido ) , onde buscamos a força para prosseguirmos ( a coragem ) e
qual a nossa meta ( nos tornarmos homens e mulheres de bem ).
Capítulo 18 – CORAGEM do livro Conflitos Existenciais – Joanna de Ângelis
Origem da coragem:
A coragem pode
ser incluída na lista das virtudes humanas, em face dos valores benéficos que
propicia ao Espírito e a existência em si mesma.
Iniciam-se
esses sentimentos, considerados valores morais, nas experiências mais simples
diante das quais o Espírito não recua, nem desiste de
enfrentá-las, por saber, às vezes, inconscientemente, que elas lhe constituem
recursos de crescimento interior e de valorização da vida.
Logo depois surgem as lutas inevitáveis entre o ego e
o self, que prosseguirão por período muito longo, até que este último predomine
em todas as instâncias.
Narra-se que São Francisco, depois de haver-se doado
ao Senhor Jesus, certo dia foi surpreendido, justificando-se nada mais possuir
para dar-lhe. Sem saber o que mais oferecer, permaneceu interrogando
mentalmente o Mestre, quando ouviu nos refolhos da alma a dúlcida voz
responder-lhe: -Francisco, dá-me Francisco.
Normalmente,
aqueles que ainda não desenvolveram os requisitos morais, nem se ativeram à
introspecção de forma que descubram as excelências da harmonia, da saúde
integral, desistem das batalhas em que a coragem desempenha seu papel de alta
importância.
A coragem, portanto, desenvolve-se lentamente,
passando de um estágio a outro, galgando degraus mais elevados, desse modo,
favorecendo a criatura com mais altivez e autoconfiança.
Não acostumado
à reflexão nem ao descobrimento da essência do que se lhe apresenta como
valioso, o self não dispõe de recursos para o avanço moral, deixando-se vencer
pelo ego vicioso.
Eis por que, a
cada conquista realizada, novas áreas devem ser ampliadas, facultando mais
valiosos empreendimentos.
A coragem moral dispensa circunstâncias e posições
relevantes.
É um valor que perdura no indivíduo, sempre vigilante
para realizar o mister que lhe diz respeito.
Conquistar essa virtude algo esquecida é uma proposta
moderna para a aquisição da saúde integral.
Coragem é mais que destemor ante perigos,
é a conquista da autoconsciência que faculta segurança nas possibilidades e nos
meios valiosos de prosseguir na conquista de si mesmo.
Aceitar o insucesso como uma experiência necessária
para assegurar futura vitória, faculta e estimula a coragem para novos
tentames.
Assumir a identidade pessoal, evitando conduta-espelho
que reflete os outros em detrimento de si mesmo, propicia coragem para
prosseguir de ânimo forte.
Quando se apresentem na conduta receios infundados,
insegurança para decidir, dificuldades para comportar-se em equilíbrio,
subjazem fenômenos psicológicos de ansiedade e culpa não
diluídas.
Recursos psicoterapêuticos devem ser buscados, a fim
de propiciar a coragem o valor moral para auto-avaliação sem pieguismo e
transformação interior para melhor sem pressa.
Como corolário da coragem moral superior, o amor
desempenha uma função primordial naquele que se candidata à aquisição da
harmonia no processo da sua evolução.
No capítulo 17
do Evangelho Segundo o Espiritismo, temos a definição do Homem de Bem.
Como nos transformarmos em verdadeiros homens de bem?
O homem de bem
3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e
de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus
próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal,
se fez todo o bem que podia, se desprezou
voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa
dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. Deposita fé em
Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua
permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé
no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as
decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.
Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo
bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco
contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.
Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta,
no fazer
ditosos os outros, nas
lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos.
Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é
para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O
egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda
ação generosa.
O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção
de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.
Respeita nos outros todas as
convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.
Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo
que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu
orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de
causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode
evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.
Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de
Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que
perdoado lhe será conforme houver perdoado.
É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita
de
indulgência e tem presente
esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar
sem pecado."
Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los.
Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em
combatê-las. Todos os esforços emprega para poder
dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na
véspera.
Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas
de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que
seja proveitoso aos outros.
Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por
saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um
depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe
pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.
Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com
bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua
autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar
com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição
subalterna em que se encontram.
O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa
e se
empenha em cumpri-los
conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9.)
Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus
semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam
respeitados os seus.
Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de
bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho
se acha que a todas as demais conduz.
Arquétipo do
curador ferido:
História de Kíron:
Da mitologia grega, Kíron, era um centauro, ao
contrário dos demais, muito intelectualizado e sensível. Foi professor de
vários heróis gregos, inclusive Hércules. Hércules, em suas caçadas, banhava a
ponta de suas flechas no sangue da Hidra que era mortal. Certa vez, ao lançar a
flecha na direção de um animal, acabou por acertar a coxa de Kíron. Por ser um
imortal, Kíron ficou apenas com uma ferida na perna que causava muita dor e
sofrimento. Ele passou então a estudar e desenvolver vários tipos de ervas,
ungüentos e remédios para curar sua ferida e passou a ser um especialista neste
tipo de tratamento embora não tivesse tido sucesso com sua própria ferida.
Passou a ser procurado por pessoas de toda a Grécia e seus tratamentos surtiam
efeito a todos que o procuravam. Certo dia, por não suportar mais aquela dor,
pediu a seu pai, Zeus, para deixar de ser imortal e passou sua imortalidade
para Prometeu. Zeus concordou com a proposta e Kíron finalmente teve seu
sofrimento terminado e transformou-se na constelação de Centauro. Diz-se que
quando alguém expressa as características do arquétipo do curador ferido, o
mesmo está “constelado” nesta pessoa.
Uma pessoa está “constelada” pelo lado sombrio quando
não percebe as próprias feridas. Ela
ajuda aos outros para
curar a si próprio.