Sugestão de aplicabilidade
do tema em casas espíritas
OBJETIVO
Trabalhar a postura introspectiva de identificar, através da
"conversa com os sentimentos", o que nosso íntimo está
nos convidando a refletir e agir neste instante existencial, de
modo que tenhamos uma relação mais prazerosa e
satisfatória com a vida e conosco sem tantas ilusões e
sofrimentos com as metas de preenchimento interior a serem
construídas e atingidas.
JUSTIFICATIVA
São cada vez maiores as evidências de
insatisfação no ser humano contemporâneo, que se
leva pelas falaciosas distrações materiais de um
"bem-estar" externo a si, o qual, por sua vez, pouco tem
contribuído para o sossego e a satisfação da alma.
A "alienação intelectualizada" da Pós-Modernidade,
com enxurradas de informações superficiais e
títulos de grandeza, está sendo um dos principais
quesitos geradores de considerável desprazer e
intolerância do homem para consigo, com a sociedade e com Deus,
havendo como resultados freqüentes o causticante vazio existencial
e um sentimento de descrença intraduzível.
Enquanto não exercitarmos a busca pelo que "as vozes da
consciência" nos transmitem através do reflexo de nossos
sentimentos, dificilmente lograremos a conquista de nós mesmos,
isto é, a meta de todo ser humano, que é a
construção de sua plenitude como Espírito imortal
que o é.
SUGESTÃO DE DESENVOLVIMENTO
No início, fizemos a dinâmica do "Como vai você?"
A técnica funciona da seguinte forma: os facilitadores do estudo
explicam que, ao invés de cada um dizer que está bem,
mais ou menos ou péssimo, a pessoa deve se colocar entre um
número de 1 (um) a 5 (cinco), de acordo com seu mundo
íntimo naquele instante. 1 não é bom; 2 é
um pouco melhor; 3, regular; 4, bom e 5 é muito bom. Lembrar as
pessoas que não vale dar-se zero e que a nota 5 não
significa que tudo esteja perfeito ou que a pessoa esteja em estado de
plenitude.
Caso um participante não queira dar-se uma nota precisa, ele
pode dizer: "Hoje estou 3.8" ou "Hoje estou 4.5". O importante é
que os participantes expressem como "resumiriam em uma nota" seu estado
íntimo naquele momento.
É importante deixar claro que a finalidade não é
dizer AO GRUPO como estamos, mas ouvirmos de NÓS MESMOS nosso
estado íntimo.
Essa dinâmica, para ficar mais rica (e quando se tem um pouco
mais de tempo ou os facilitadores do grupo percebam uma necessidade
maior do grupo gastar mais tempo nessa técnica), é
interessante que os participantes, se quiserem, justifiquem o
porquê de suas notas.
Exemplo: "Hoje eu me sinto 3 porque eu repeti uma postura que
não me fez bem e que eu havia prometido a mim mesmo
trabalhá-la melhor no íntimo. Explodi de novo com minha
mulher sem dar chance para ela se justificar a mim."
Os facilitadores, naturalmente, devem ser muito acolhedores e
envolventes quando à frente de atividades deste tipo, jamais
julgando ou recriminando (não só com palavras, mas com
olhares e tantas outras posturas corporais) e sempre tentando apreender
no fundo de si um pouquinho de cada pessoa presente.
O facilitador deve perceber o momento de passar para a outra pessoa dar
sua nota ou ficar mais em determinado participante, sempre com o
propósito de ajudá-lo na orientação, junto
dos demais no grupo, evitando ao máximo posturas professorais ou
moralismos. O facilitador é apenas mais um Espírito
necessitado, porém com a função de conduzir o
grupo.
Logo após esse primeiro momento, nós jogamos no grupo a primeira questão.
Instigamos os participantes a respondê-la, fazemos desdobramentos
das reflexões dos envolvidos, trazemos um ponto de uma pessoa e
de outra e pedimos ao grupo analisá-los. Enfim, aproveitamos e
aprofundamos cada pergunta ao máximo para que não
tivéssemos simples respostas do que havíamos perguntado,
mas LIÇÕES DE VIDA a partir de expressões sinceras
do fundo da alma de cada um.
Se os moderadores perceberem que os integrantes estão muito
superficiais nas respostas, não se colocando ao responderem
questões que só dizem respeito a eles mesmos, o moderador
deve ser hábil o bastante para instigar novos raciocínios
ou pedir ao grupo que responda com base em suas vivências
pessoais, com suas experiências.
É válido alguém citar um trecho de um livro
espírita ou outro qualquer que haja lido, mas, se o moderador
perceber que esse participante ou o grupo está ficando só
nas citações, é oportuno pedir que o foco seja
retomado, trazendo as respostas para "dentro de nós". É
muito comum que as pessoas se distraiam e comecem a citar obras e mais
obras, escondendo-se inconscientemente no que dizem e acabando por
não dizer nada sobre suas experiências interiores, o que
não terá um resultado satisfatório para o grupo. O trabalho principal é com a intimidade.
O conhecimento literário, por mais importante que seja, é
secundário neste momento de reflexão do Espírito
para consigo.
Dessa forma, com um certo "tato psicológico" do próximo,
o moderador passa para a outra questão, trabalhando-a da melhor
forma que o grupo puder produzir.
É muito freqüente que os moderadores hajam preparado certo
tipo de material a ser trabalhado com o grupo e que, na hora "H", os
caminhos da discussão tomem outras abordagens, o que deve ser
encarado com naturalidade pelos coordenadores.
Toda pessoa que for muito inflexível em
planejamentos realizados para algum estudo não
servirá para ser um moderador em grupos assim, visto que a
tarefa pede líderes que sejam maleáveis e
sensíveis o bastante para "deixarem" o que houveram produzido e,
na hora, produzirem novas abordagens através das "entrelinhas"
que estão nas mensagens do grupo.
Geralmente, por nossa experiência, o que é preparado anteriormente pelo moderador é mais que o que se consegue trabalhar no grupo. O que importa nos debates não é O QUANTO se discute, mas QUÃO INTENSAS são as reuniões.
Outro detalhe: caso o grupo e os moderadores sintam a necessidade de
continuarem no mesmo tema por outras semanas, que seja assim.
Não tenhamos a pretensão de, necessariamente, a cada
estudo iniciarmos e finalizarmos um tema.
É também importante que o moderador enfatize ao grupo que
o objetivo da atividade, das discussões é a
reflexão, e não a "conclusão" de um tema. Cada
pessoa que participa deve analisar tudo que foi dito e perceber como
ela está diante daquilo, promovendo em si as devidas
mudanças que a própria consciência pedir e
também aprofundando-se quanto mais desejar no tema abordado.
A responsabilidade de "fechar" os temas não é do
líder do estudo nem do estudo propriamente dito. É bom
que nem usemos tal termo. Ao invés dele, diremos: "Cabe a cada
qual perceber em si o que deve ser buscado ainda sobre o tema em pauta,
segundo as necessidades da alma de cada um." Pronto. Só isso.
Se, porventura, alguém futuramente quiser conversar com o
moderador sobre o tema ou novas abordagens que descobriu para
aprofundar o que houvera sido discutido, ótimo.
Para finalizar estas notas, queremos deixar claro que a temática
escolhida acima e as perguntas dela decorrentes são estritamente
sugestões nossas, jamais orientações limitadoras
da criatividade de outros moderadores que estejam em contato com nossa
proposta de estudo.
Ousemos, façamos diferente e doemo-nos ao(s) nosso(s) grupo(s),
sempre em nome de Jesus, tendo Kardec a direcionar, junto das Equipes
Maiores, nossos raciocínios e sentimentos.