O que meu coração me diz?





Refletindo sobre o tema


1) A Oficina dos Sentimentos está baseada na nova obra de Ermance Dufaux (editora Dufaux), intitulada "Escutando Sentimentos". Dentro desse contexto de nos interiorizarmos, o que seria "escutar nossos sentimentos"?


2) O que fazer para penetrar meu coração e como fazê-lo?


3) Qual postura cristã deveria preponderar no íntimo quando eu contatar meus sentimentos?


4) O que meu coração está dizendo neste momento existencial?


Sugestão de aplicabilidade
do tema em casas espíritas


OBJETIVO
Trabalhar a postura introspectiva de identificar, através da "conversa com os sentimentos", o que nosso íntimo está nos convidando a refletir e agir neste instante existencial, de modo que tenhamos uma relação mais prazerosa e satisfatória com a vida e conosco sem tantas ilusões e sofrimentos com as metas de preenchimento interior a serem construídas e atingidas.


JUSTIFICATIVA
São cada vez maiores as evidências de insatisfação no ser humano contemporâneo, que se leva pelas falaciosas distrações materiais de um "bem-estar" externo a si, o qual, por sua vez, pouco tem contribuído para o sossego e a satisfação da alma. A "alienação intelectualizada" da Pós-Modernidade, com enxurradas de informações superficiais e títulos de grandeza, está sendo um dos principais quesitos geradores de considerável desprazer e intolerância do homem para consigo, com a sociedade e com Deus, havendo como resultados freqüentes o causticante vazio existencial e um sentimento de descrença intraduzível.

Enquanto não exercitarmos a busca pelo que "as vozes da consciência" nos transmitem através do reflexo de nossos sentimentos, dificilmente lograremos a conquista de nós mesmos, isto é, a meta de todo ser humano, que é a construção de sua plenitude como Espírito imortal que o é.


SUGESTÃO DE DESENVOLVIMENTO
No início, fizemos a dinâmica do "Como vai você?"

A técnica funciona da seguinte forma: os facilitadores do estudo explicam que, ao invés de cada um dizer que está bem, mais ou menos ou péssimo, a pessoa deve se colocar entre um número de 1 (um) a 5 (cinco), de acordo com seu mundo íntimo naquele instante. 1 não é bom; 2 é um pouco melhor; 3, regular; 4, bom e 5 é muito bom. Lembrar as pessoas que não vale dar-se zero e que a nota 5 não significa que tudo esteja perfeito ou que a pessoa esteja em estado de plenitude.

Caso um participante não queira dar-se uma nota precisa, ele pode dizer: "Hoje estou 3.8" ou "Hoje estou 4.5". O importante é que os participantes expressem como "resumiriam em uma nota" seu estado íntimo naquele momento.

É importante deixar claro que a finalidade não é dizer AO GRUPO como estamos, mas ouvirmos de NÓS MESMOS nosso estado íntimo.

Essa dinâmica, para ficar mais rica (e quando se tem um pouco mais de tempo ou os facilitadores do grupo percebam uma necessidade maior do grupo gastar mais tempo nessa técnica), é interessante que os participantes, se quiserem, justifiquem o porquê de suas notas.
Exemplo: "Hoje eu me sinto 3 porque eu repeti uma postura que não me fez bem e que eu havia prometido a mim mesmo trabalhá-la melhor no íntimo. Explodi de novo com minha mulher sem dar chance para ela se justificar a mim."

Os facilitadores, naturalmente, devem ser muito acolhedores e envolventes quando à frente de atividades deste tipo, jamais julgando ou recriminando (não só com palavras, mas com olhares e tantas outras posturas corporais) e sempre tentando apreender no fundo de si um pouquinho de cada pessoa presente.

O facilitador deve perceber o momento de passar para a outra pessoa dar sua nota ou ficar mais em determinado participante, sempre com o propósito de ajudá-lo na orientação, junto dos demais no grupo, evitando ao máximo posturas professorais ou moralismos. O facilitador é apenas mais um Espírito necessitado, porém com a função de conduzir o grupo.

Logo após esse primeiro momento, nós jogamos no grupo a primeira questão.
Instigamos os participantes a respondê-la, fazemos desdobramentos das reflexões dos envolvidos, trazemos um ponto de uma pessoa e de outra e pedimos ao grupo analisá-los. Enfim, aproveitamos e aprofundamos cada pergunta ao máximo para que não tivéssemos simples respostas do que havíamos perguntado, mas LIÇÕES DE VIDA a partir de expressões sinceras do fundo da alma de cada um.

Se os moderadores perceberem que os integrantes estão muito superficiais nas respostas, não se colocando ao responderem questões que só dizem respeito a eles mesmos, o moderador deve ser hábil o bastante para instigar novos raciocínios ou pedir ao grupo que responda com base em suas vivências pessoais, com suas experiências.

É válido alguém citar um trecho de um livro espírita ou outro qualquer que haja lido, mas, se o moderador perceber que esse participante ou o grupo está ficando só nas citações, é oportuno pedir que o foco seja retomado, trazendo as respostas para "dentro de nós". É muito comum que as pessoas se distraiam e comecem a citar obras e mais obras, escondendo-se inconscientemente no que dizem e acabando por não dizer nada sobre suas experiências interiores, o que não terá um resultado satisfatório para o grupo. O trabalho principal é com a intimidade. O conhecimento literário, por mais importante que seja, é secundário neste momento de reflexão do Espírito para consigo.

Dessa forma, com um certo "tato psicológico" do próximo, o moderador passa para a outra questão, trabalhando-a da melhor forma que o grupo puder produzir.

É muito freqüente que os moderadores hajam preparado certo tipo de material a ser trabalhado com o grupo e que, na hora "H", os caminhos da discussão tomem outras abordagens, o que deve ser encarado com naturalidade pelos coordenadores.

Toda pessoa que for muito inflexível em planejamentos realizados para algum estudo não servirá para ser um moderador em grupos assim, visto que a tarefa pede líderes que sejam maleáveis e sensíveis o bastante para "deixarem" o que houveram produzido e, na hora, produzirem novas abordagens através das "entrelinhas" que estão nas mensagens do grupo.

Geralmente, por nossa experiência, o que é preparado anteriormente pelo moderador é mais que o que se consegue trabalhar no grupo. O que importa nos debates não é O QUANTO se discute, mas QUÃO INTENSAS são as reuniões.

Outro detalhe: caso o grupo e os moderadores sintam a necessidade de continuarem no mesmo tema por outras semanas, que seja assim. Não tenhamos a pretensão de, necessariamente, a cada estudo iniciarmos e finalizarmos um tema.

É também importante que o moderador enfatize ao grupo que o objetivo da atividade, das discussões é a reflexão, e não a "conclusão" de um tema. Cada pessoa que participa deve analisar tudo que foi dito e perceber como ela está diante daquilo, promovendo em si as devidas mudanças que a própria consciência pedir e também aprofundando-se quanto mais desejar no tema abordado.

A responsabilidade de "fechar" os temas não é do líder do estudo nem do estudo propriamente dito. É bom que nem usemos tal termo. Ao invés dele, diremos: "Cabe a cada qual perceber em si o que deve ser buscado ainda sobre o tema em pauta, segundo as necessidades da alma de cada um." Pronto. Só isso. Se, porventura, alguém futuramente quiser conversar com o moderador sobre o tema ou novas abordagens que descobriu para aprofundar o que houvera sido discutido, ótimo.

Para finalizar estas notas, queremos deixar claro que a temática escolhida acima e as perguntas dela decorrentes são estritamente sugestões nossas, jamais orientações limitadoras da criatividade de outros moderadores que estejam em contato com nossa proposta de estudo.
Ousemos, façamos diferente e doemo-nos ao(s) nosso(s) grupo(s), sempre em nome de Jesus, tendo Kardec a direcionar, junto das Equipes Maiores, nossos raciocínios e sentimentos.